Aprendizado Mútuo: avós
- Debora Laks

- 26 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de dez. de 2020

Dona Maria mal pode esperar por ter sua casa cheia dos filhos e netos. Na sua família, aos domingos quem pode se reúne em sua residência, as crianças correm, os adultos conversam e assam churrasco. Matheus também sente muita falta de ir à casa da avó e abraçá-la. Pergunta recorrentemente quando este bichinho irá embora.
O relacionamento com os avós é importante
Neste domingo é dia dos avós, 26 de julho. Uma data que muitas vezes passa desapercebida na rotina de encontros e trocas freqüentes. No entanto, neste ano a falta da possibilidade de convivência próxima entre avós e netos nos convida a pensar sobre o significado destas relações.
Em função do envelhecimento da população tem sido possível que as crianças convivam mais com os avós e, com sorte, até bisavós. Em uma sociedade que cultua a juventude e teme o envelhecimento, as trocas entre gerações têm um grande valor. Talvez nos abra os olhos para a riqueza da passagem do tempo e o ganho que temos com as experiências acumuladas.
Para os avós o convívio com os netos pode significar ver a vida se renovando. As crianças podem trazer movimento, afeto e troca pulsante. Mas e para as crianças?
É comprovado que estar com os avós faz bem
Muitos psicanalistas estudam a questão da transmissão psíquica intergeracional e este é um tema interessante quando pensamos nos pequenos. Quando um avô convive com seu neto está transmitindo valores, histórias e o jeito das gerações passadas. Nestas trocas, há o elo entre quatro gerações, já que os progenitores conviveram com seus pais e avós também.
Freud enfatizou a transmissão do narcisismo no convívio familiar. Neste sentido, o bebê seria herdeiro dos sonhos e desejos projetados pelos seus pais, ponto crucial a partir do qual o sujeito pode constituir sua subjetividade.
Em época de pandemia repensar sobre a importância de uma constituição psíquica sólida e rica em trocas afetivas é fundamental. Quais valores queremos deixar para a próxima geração é a questão, não é mesmo?
Ao estarmos mais isolados, talvez possa haver espaço para refletir sobre o bem-estar e os princípios que regem nossas vidas. Este tema é perpassado pela singularidade e, por isto, torna-se extremamente particular. No entanto, examinar como estamos nos relacionando é crucial.
Conscientes da inestimável importância destas transmissões, é fundamental a manutenção dos vínculos, mesmo que a distância. Neste momento em que os idosos já estão tão ameaçados pelo vírus, que os núcleos familiares encontrem meios de devolver o cuidado de outrora. Um feliz dia dos avós!
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