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Uma crise econômica e emocional | Para ZH

  • Foto do escritor: Débora Laks
    Débora Laks
  • 7 de set. de 2019
  • 3 min de leitura













Lúcio está dirigindo Uber temporariamente, pois não está conseguindo se recolocar como administrador. É um rapaz de 35 anos, pós-graduado em Recursos Humanos e sempre esteve bem colocado em empresas privadas. Tenta não ficar desesperançoso em relação à recolocação na sua área de atuação, mas nunca teve dificuldades em conseguir um novo emprego.


É apenas um representante da crise econômica que estamos enfrentando no Brasil. Diariamente, nos impactamos com notícias como: “Brasil caminha para década perdida na economia, a pior em 120 anos” (ZH, junho de 2019). Como esta realidade estaria afetando o estado emocional das pessoas?


Com certeza, a crise financeira traz repercussões à saúde emocional dos brasileiros. Quem está empregado pode sentir-se mais tenso no dia a dia, por perceber as dificuldades do mercado, ou mesmo, ser pressionado por resultados. A pressão diária é muito angustiante. Em épocas de recessão, nem sempre os rendimentos provenientes das atividades são os desejados, apesar dos esforços.


Aquele que, como Lúcio (caso fictício), não está conseguindo emprego, tem o temor constante de não ser capaz de prover financeiramente suas necessidades diárias. Também, a impossibilidade de ter o mesmo padrão econômico afeta a autoestima, já que não estar posicionado socialmente da forma como está habituado gera mudanças em todos os hábitos de vida. Este contexto nutre insegurança e desânimo, que são inimigos da saúde emocional.


O fato é que, estabilidade no trabalho promove o bem-estar psicológico dos trabalhadores. Nos períodos de instabilidade, os principais problemas psicológicos que acometem as pessoas são o aumento da ansiedade, sintomas depressivos, estresse, uso de álcool e, até mesmo, o suicídio.


Todos estes sintomas podem aparecer e é importante estar atento para a necessidade de buscar ajuda profissional. No entanto, as dificuldades emocionais não costumam ser resultado apenas da realidade adversa que estamos enfrentando, também conta a estrutura emocional do indivíduo. Por exemplo, quem tem personalidade mais depressiva, tende a ter alterações no humor.


Caso você conviva com pessoas que estejam vivendo este tipo de dificuldade, se colocar à disposição, acolhendo e amparando, talvez seja uma experiência oposta ao cenário de negativas e portas fechadas. Rede de apoio é importante em qualquer etapa da vida, todavia nas adversidades passa a ser fundamental! Auxiliar sugerindo profissionais que possam ajudar, ou indicando oportunidades que sejam interessantes, é imprescindível.


É comum haver resistência em procurar ou manter ajuda psicoterápica. A dificuldade econômica acaba pesando contra a manutenção deste tipo de serviço, o que é compreensível. Todavia, ter um espaço de escuta e de transformação das angústias em possibilidades de mudança pode ser a chave para a superação.


Um aspecto a ser trabalhado é que, em horizontes desfavoráveis, as pessoas costumam esquecer suas trajetórias e virtudes. Acabam vivenciando somente as falhas do momento. Talvez uma das possibilidades seja justamente tentar relembrar a carreira, pensar nos louros colhidos na trajetória e estar atento as potencialidades pessoais. Não é favorável desmerecermos a nossa história em função das frustações presentes.


Driblar a adversidade sem dúvida não é tarefa fácil, entretanto pode ser um desafio para desenvolver a paciência e a resistência emocional. As crises passam e sempre haverá uma nova forma de vida por vir! Ter esta ideia em mente ajuda a não esmaecer: vai passar!


Apesar de ser um período sofrido, a crise pode ser transformada em uma oportunidade de fortalecimento. A dificuldade em conseguir nova colocação costuma levar ao aperfeiçoamento das nossas capacidades, o desenvolvimento de novas qualificações, ou mesmo, uma mudança de rota. Quem disse que o caminho escolhido até então é o mais favorável para você?


Quem sabe, inclusive, você encontre novas chances em função do desejo de solucionar sua situação? A força de vontade é motor da criatividade. As criações podem ser perspectivas totalmente inusitadas ao próprio individuo. Conceber novas direções pode surpreender, gerando mais satisfação e tranquilidade. Vamos lá?!






 
 
 

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